Naquela noite fumei meu último cigarro.
E na seda escrevi seu nome.
Na esperança de te deixar pra trás.
Esperando que aquela chama misturada com a fumaça poderia te levar.
E apagar as lembranças da minha memória.
Naquela noite bebi minha última dose de whisky.
Numa rua deserta e seu rosto aparecia projetado em minha mente.
Fiquei na esperança de que naquele último gole, você ia descer por minha garganta. Como o forte amargo do whisky, e eu não lembraria de você jamais.
Naquela noite pensei em deixar você pra trás.
Mas lembrei que você é o meu Déjà vu.
E antes daquele maldito beijo, eu já sabia do seu gosto. Amargo. Mas que eu desejo.
Amargo, como o fim do cigarro, e um gole de whisky.
Você causou falha no meu sistema, me desconfigurou.
Moço, eu te guardei na memória errada.
Tu que me beijou,
Com o sabor doce-amargo, se transformou em poema.
Tu foi um erro tosco da minha memória.
Se tornou o passado, o presente e futuro mais difícil de apagar.
Depois daquela noite, parei de fumar, parei de beber.
Pois tudo me lembrava você.
Que é o meu pior vício.
Mas você tem o melhor dos amargos.
E hoje, eu que não fumo nem bebo
Ainda te guardo no peito.
- Aflorcitou
